terça-feira, março 21, 2006

De onde vim, eu sei


De onde vim, eu sei. E também sei quem me lá pôs, porque até sou parecido com o fulano.
Meu nome é Sinfrósio qualquer coisa, o que não vem ao caso e também não interessa, pois documentos não tenho, nem cartões de banco, nem de saúde, nem de Health Clubs, nem doutras merdas assim que só complicam a vida da gente. E Sinfrósio, agora o meu verdadeiro nome, não é o original. Desse já nem me lembro e apenas sei que o herdei de um padrinho horroroso com um nome a condizer. Bom, pensando melhor... o melhor é não pensar porque ainda me ia lembrar e arranjar algo para me preocupar, o que eu menos quero nesta vida.

E também sei onde vim, mas isso não digo, pois quero suscitar disputas entre investigadores intelectuais e outros que tais que irão prolongar-se por séculos, o que sempre será uma maneira de me ir perpetuando, coisa com que sempre ambicionei.

Isto, quando era ambicioso, mas isso já foi há muito. Os ambiciosos são gente que tem, ou julga ter, um presente de merda. É o que eu pensava quando vivia debaixo das asas maternas e ainda alguns tempos depois. Estão todos contra nós, o que quer que seja de nós: penteado, andar, falar, comer, argumentar, hábitos, gestos. Tudo o que sai de nós enjoa, fede. Sentimo-nos a mais naquele mundo e toca de olhar para outros que supomos sucedidos. Isto foi, é claro, antes de Amparo.

Desses tempos pré-históricos guardo umas quantas quantas lembranças, umas espécie de pedrinhas brancas que, olhando para trás me fazem ver com nitididez o caminho percorrido até aqui. Foi o tempo das pedrinhas.